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Quando se fala em sustentabilidade fala-se também em novas formas de pensar a economia, de uma forma colaborativa e inclusiva, de redução e reutilização de recursos, de dinamização das comunidades locais.

Foi tudo o que encontrámos em Manteigas, uma terra tão rica quanto bonita, em plena Serra da Estrela.

Em meados do século XX, Manteigas tinha uma forte indústria de lanifícios e lacticínios que se perdeu, como um pouco por todo o país, no final da primeira década de XXI.

Em 2010, João Tomás e Isabel Costa (re)descobriram a Lanifícios Império e todo o património físico, cultural e também humano que ali “vivia”. Não lamentaram o passado, não ignoraram o presente e avançaram para o futuro, com a recuperação da fábrica e o renascimento do burel.

Assim nasceu a Burel Factory, a fábrica da Burel Mountain Originals.

O Burel, tradicionalmente usado pelos pastores da montanha, é um tecido 100% lã, resistente ao fogo, com elevado grau de impermeabilidade, isolante térmico e acústico, flexível, natural, é um agro-produto e não cria borboto!

 

Em Outubro fizemos uma visita guiada à Burel Factory e deixámo-nos contagiar com a magia do conhecimento, com a paixão de quem nos falava, e sobretudo com a magnitude do que ali se fazia.

Não é só uma fábrica recuperada: é a morada de um conhecimento ancestral que quase se perdia, é o posto de trabalho de detentores de sabedoria única, é a energia de toda uma comunidade que ali renasce.

A Burel Factory manteve as mesmas máquinas e equipamentos tradicionais, técnicas manuais, essenciais para garantir a produção de tecidos únicos de grande qualidade. Foi-nos dito que havia um funcionário que sabia a composição exacta do burel apenas pelo toque… é património imensurável que não se podia perder.

E não só não se perdeu, como se reinventou.

A Burel Factory é:

“Tecer o presente com os fios do passado fazendo progredir uma arte e uma tradição na transformação da lã, pensando criativamente, tendo uma dinâmica do fazer e da experimentação, encarando o trabalho como uma aprendizagem, transmitindo o conhecimento adquirido ao longo da vida, incentivando o design e a inovação empresarial, aumentando a capacidade e qualidade da investigação científica, produzindo cultura reforçando a identidade de uma região, desenvolvendo uma economia verde.”

 

Sem sermos muito exaustivas (porque cairemos seguramente em erro), tentaremos descrever um pouco de todo o processo de produção do burel. Podem ver toda a explicação aqui.

A lã chega em fardos de cerca de 200kg, já com uma primeira lavagem, que entrarão numa máquina para abrir os fios e amaciar a lã. Depois de algum repouso em câmaras, segue para ser cardada e assim começar a ter a forma de quase fio: a mecha. Os rolos de mecha são colocados na fiação, de modo a formar o fio na espessura pretendida dependendo do objetivo final e o tipo de tecido pretendido: tecido burel, mantas, flanela ou outros tecidos. Por fim, é altura de tecer e bater o tecido no pisão até obter o resultado desejado.

“Depois de carmeada e cardada, a lã transforma-se em mecha. A mecha é torcida na fiação e transforma-se em fio. Este passa pela urdideira originando a teia. O tear transforma a teia em xerga. A xerga passa pelo batano e por outros tratos e transforma-se finalmente em burel.”

 

 

O centro criativo da Burel Factory é o laboratório da reinvenção, responsável pela inovação e pelo design de novas peças que nos vêm chegando um pouco por todo o lado, em artigos de moda e decoração.

 

 

Na nossa estadia, ficámos na Casa das Penhas Douradas, um refúgio de burel a que voltaremos em breve!

Até já!