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Nunca a Ecologia esteve tão em cima da mesa. Nunca nos sentimos tão assustados com o amanhã, com o legado que deixamos aos nossos filhos, com as consequências dos nossos actos no imediato, no aqui e no agora. O pânico instalou-se.

Não há muito que possamos acrescentar sobre o tema, tão estudado por alguns e tão enfatizado por outros. Queremos só deixar as NOSSAS reflexões sobre uma problemática que passou num ápice de assunto de minorias a tema viral, (infelizmente) tão real e tão urgente.

Volta não volta há uma nova notícia, uma nova personagem, um novo movimento, um novo negócio e um novo produto no mundo GREEN e todos nós sentimos a ânsia de ir ao seu encontro ou, ao invés, de o repudiar.

Neste exercício, julgamos. Está na nossa natureza fazê-lo e assim a espécie evolui. Mas – já julgando – será que não evoluímos depressa demais? Não estaremos a querer (re)fazer tudo num dia só? Estaremos a fazê-lo da melhor maneira?

Será realista acreditar que o mundo vai andar 60 anos para trás onde não se usavam (tantas) palhinhas e fazíamos as nossas compras em cestas de verga (lindas, por sinal)? Ou melhor, é isso que queremos?

Temos de nos sentir mal por, como dizia alguém, comprar uma garrafa de água na rua porque está demasiado calor? Serão as fraldas de pano – de facto – a solução mais amiga do ambiente? Quantas embalagens de vidro já partiram desde que abandonaram os tupperwares?

A urgência do tema impõe soluções e resoluções, mas também desperta moralismos e o polícia mais atento que há em nós (mesmo que não virado para o exterior, paira um olhar sancionatório sobre as nossas próprias actuações).

E a verdade é que, ainda bem! De outra forma estaríamos a assistir na plateia a um filme de terror em que somos ao mesmo tempo o mau, o vilão e a vítima.

Mas, em tom de reflexão, e porque tem sido tema de conversa muitas vezes entre nós (uns com posições mais exigentes que outros), queríamos deixar o nosso “contributo”, que tem tanto de humilde e despretensioso como de “acientífico”.

Comecemos pela conclusão: todos diferentes, todos iguais e todos devagar.

Vamos mover-nos não por um propósito ambientalista, mas por um consumo consciente, e pelo respeito de que a minha casa não é igual à tua.

As últimas décadas foram de aceleração, uma corrida para lugar nenhum e todos nós nos sentimos atraídos a buscar conforto em coisas e soluções que nos assaltam para nos facilitar uma vida turbulenta.

Nasceu o descartável e o consumo emocional e o ambiente acusou o toque.

Não há produtos nem soluções sem pegada ecológica, nunca vamos ser ambientalistas irrepreensíveis. E não vamos conseguir viver com essa frustração.

Vamos antes olhar para o que nos rodeia e questionar se o que fazemos é, de facto, o melhor para nós (no Mundo). Se precisamos mesmo de tudo o que compramos, se estamos a fazer uma boa gestão das nossas prioridades, se temos realmente algum controlo sobre os nossos dias e se sabemos mesmo o que andamos a fazer.

Se pararmos para pensar no que estamos a comprar, a usar e a deitar fora, o ambiente agradece.

Para muitos foi o tempo em família, uma doença irreversível ou uma perda irreparável que despertou a necessidade de PARAR, de viver e de tomar as rédeas. O ambiente e a urgência de cuidar o bem comum é (também) um óptimo mote, que (também) só peca por tardio.

Dos nossos pequenos debates sobre esta azáfama ecológica concluímos sempre que a única solução é parar: primeiro para questionar e logo em seguida para corrigir os desvios.

Ninguém come peixe cozido e peito de frango grelhado a vida toda.

Desafiarmos a nossa zona de conforto não é colocarmo-nos numa posição de sacrifício, mas antes questionarmos o que significa de facto esse conforto e o que é que ele nos traz.

Se vives ao lado de uma loja que vende a granel produtos amigos do ambiente, óptimo e obrigada por fazeres essa opção por ti e reflexamente por todos nós.

Se fazes compras online porque não tens tempo de ir à Praça à quarta-feira, provavelmente fazes uma gestão mais racional da tua lista de compras do que quem vai ao supermercado 3 vezes por semana – e desperdiças menos.

E com isto a conclusão não é o achar que o tema não merece de facto sacrifício, a desresponsabilização ou um aceitar de um estado de coisas é antes um: todos beneficiávamos de uma loja a granel ao lado de casa e de tempo para ir à Praça comprar produtos locais.

Testar radicalmente os nossos hábitos e os nossos limites dá-nos só uma falsa consciência de contributo para “a” solução.

O ambientalismo não pode ser mais uma corrida, sob pena de nunca se enraizar.

Todos os gestos contam, desde que todos os façamos, a pouco e pouco, com consciência de que nada é inconsequente e que somos todos responsáveis pelo lugar comum.

Todos podemos fazer, todos vamos fazer e todos beneficiamos com isso, a cada passo e medida verdadeiramente enraizados.

Vamos tornar-nos mundanos conscientes em vez de ambientalistas inconscientes?

É um percurso que temos vindo a percorrer nesta rubrica a que chamámos Eco-Living!