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Podes ficar com as joias, o carro e a casa, mas não fiques com… a minha caneta de tinta permanente Montblanc.

João de Bragança é um engenheiro a doutorar-se no programa em Teoria da Literatura. Pai, avô, presidente da Acreditar (Associação de pais e amigos de crianças com cancro) e vice-presidente da Childhood Cancer International (CCI). Escreveu “Deus Pregou-me uma Partida” (2005; editora: Lucerna) e desde 2008 que mantém o blog Adeus até ao meu regresso.

João Bragança falou-nos na importância da escrita e da sua escolha:

Uma caneta de tinta permanente é mais do que um objecto funcional – é um exercício de estética. Num tempo em que vinga a eficácia, a escrita com tinta permanente faz das abreviaturas uma tentativa de elegância, confere ao conteúdo prático das frases uma possibilidade de requinte. Num tempo em que a rapidez e o efémero são uma quase-religião, a escrita com tinta permanente é uma tentativa de fixar o tempo, de dar-lhe espaço e continuidade. O tempo de secagem da tinta não é um impedimento à velocidade dos tempos modernos, mas um sinal de espera, de confiança na ideia de que há um tempo para tudo.


A minha caneta de tinta permanente acompanha-me desde há muito. De entre tudo o que tenho em casa ou que é minha pertença – jóias, carro, livros ou (in)utilidades várias – é dela que não me separo. Não pela sua funcionalidade, qualidade ou valor, nem mesmo pela eventual invulgaridade de uma tinta bordeaux. Na verdade, podem ficar com tudo, mas não com a caneta de tinta permanente Montblanc: são as memórias afectivas que lhe estão associadas e são a certeza de que aquele pequeno objecto é uma metáfora da vantagem de uma certa lentidão na vida.