Começo com um aviso à navegação: sou desarrumada e desorganizada, a minha casa não está um brinco, tenho papéis amontoados em cima da minha secretária, embalagens fora de prazo no frigorífico e garrafas de água vazias no chão do carro.

Dito isto, sinto-me absolutamente legitimada para falar no tema que me traz aqui hoje: minimalismo, organização e destralhe.

photo: pinterest.com

 

Não porque seja expert a arrumar meias por cores ou especiarias em frasquinhos, mas porque tenho uma vontade e necessidade enormes de mudar.

Não sou seguidora e cumpridora irrepreensível de nenhuma teoria ou crença em nenhum espectro da minha vida, por isso também de forma alguma me poderei tornar numa embaixadora do minimalismo ou evangelizadora Marie Kondo (respect!). MAS! Identifico-me! Sinto a necessidade de ser “mais menos”. O caos que se gera à minha volta pela confusão de coisas que pairam na minha vida fazem-me infeliz pela falta de controlo. Para mim não se trata de ter as gavetas organizadas por cores, trata-se de controlo e, consequentemente, de tirar prazer daquilo que tenho.

Quando abro o roupeiro de manhã e não encontro uma peça de roupa que me apetecia imenso vestir, perco tempo, enervo-me e inconscientemente fico frustrada porque acabo a vestir outra coisa qualquer. Tenho peças de roupa que não visto há anos, que se calhar já nem me servem… As coisas amontoadas em cima do aparador ofuscam a jarra da minha avó e a gaiola de madeira que comprei no Porto e adoro. Passo por elas todos os dias e “não as vejo”, porque só vejo o molho de chaves que devia estar na entrada, a caixa que nos ofereceram no Natal e não está ali a fazer nada e visualmente tudo é confuso e cheio.

Foi preciso um pouco de introspecção para ver o que podia fazer para facilitar a minha vida e foi assim que de alguma forma cheguei à conclusão de que tinha de “minimizar”.

 

photo: hoekstraglobalstrategies.com

 

O minimalismo não é uma moda nova – já falámos sobre minimalismo na decoração AQUI – e há muitos movimentos, muita literatura, muitos vídeos e podcasts que me têm inspirado e dado algumas ferramentas.

Li (e recomendo) vários artigos sobre como destralhar a casa de uma ponta à outra em 30 dias, super metodológicos e aparantemente infalíveis.

Não tenho essa ambição, não é a minha prioridade número 1 e por isso não vos venho trazer um plano milagroso, venho – em modo orientadora espiritual (joking…), partilhar convosco um pouco das minhas reflexões para que – se se identificarem comigo – me acompanharem nas minhas pequenas conquistas.

Para minha e vossa desilusão, não tenho a chave para destralhar e organizar a casa em menos de 24h e sem sair do sofá. Tenho só uma visão realista daquilo que é possível ir fazendo.

 

photo: arquiedecor.com.br

 

Sistematizando um pouco, deixo-vos as minhas guidelines para uma espécie de minimalismo de conveniência:

  • PERCEBER O MINIMALISMO: O minimalismo na decoração não vive de casas vazias e descaracterizadas, vive do essencial e o essencial é pessoal, por isso não tem medida. Não há fórmulas perfeitas porque cada casa é uma casa, cada família tem as suas necessidades e possibilidades. A partir daqui basta querer.

 

  • TER VONTADE: vontade de ser mais arrumada e organizada sempre tive, por isso é mais uma vontade-necessidade. Até há pouco tempo esta vontade surgia quando fazia mudanças de casa ou me dava um ímpeto de fada do lar. Agora é mesmo uma questão estrutural que surgiu com o nascimento da minha filha e com a total perda de controlo do tempo que uma recém mãe sente. Os dias passaram a ser em correria desde que nos levantamos até que nos deitamos e fiquei com um sentimento de piloto automático que me fez repensar um pouco a vida (querer dedicar-me ao que realmente me preenche, estar em pleno onde quer que esteja) e concluir que o ambiente em que vivemos é essencial para alcançar esse equilíbrio. Uma das coisas que sempre faço intuitivamente (reparei agora) quando estou com muito trabalho é arrumar a secretária e só depois trabalhar. É preciso perceber que esta necessidade de ter um ambiente “saudável” à nossa volta existe para se ter vontade de o criar. Há muitos motivos para querer dar esta volta (uma separação, uma mudança de casa, uma herança), mas é preciso querer a mudança, porque senão é só uma arrumação que em pouco tempo volta ao mesmo.

 

photo: popsugar.com

 

  • UM MODO DE VIDA: esta vontade tem de ser tão grande ou tão séria que a desarrumação tem de se tornar tão incómoda, que já não sabemos viver doutra maneira. Não é arrumar a casa toda agora, é viver numa casa diferente. Trata-se de alcançar um  equilíbrio entre aquilo que somos e a forma como vivemos. Tem de ser um foco, mais do que um objectivo. Alcançar este equilíbrio requer esforço e por isso é preciso fazer alguns exercícios para alcançar esse grande objectivo. Basta definir uma estratégia e começar a trabalhar!

 

  • UMA ESTRATÉGIA CONVENIENTE: os anos vão passando e começamos a conhecer-nos melhor e a perceber o que de facto queremos e conseguimos fazer. A estratégia conveniente é aquela que tem uma taxa de esforço que consideramos razoável. Para mim não é razoável (com uma filha e em pleno pseudo-verão) sacrificar 4 fins de semana seguidos a arrumar gavetas…para mim faz sentido implementar pequenas rotinas que me ajudem a gerir as existências lá de casa para que, a pouco e pouco, consiga destralhar bastante e atingir aquele equilíbrio que sinto que perdi (ou que nunca tive). A minha estratégia foi: arrumar uma gaveta ou um armário ou uma caixa sempre que tenha um bocadinho de tempo. Claro que temos de arranjar esse tempo (é como ir ao ginásio) para que o plano seja cumprido e haja avanços no processo, para que seja motivante e uma verdadeira revolução, mas é importante que seja um plano pessoal, de acordo com as necessidades pessoais, com os ritmos de cada um.

 

  • NÃO É MATEMÁTICA: não há um número certo de copos, de molduras ou de almofadas em cima da cama. O número certo é aquele sentimos ser o confortável para nós, que faz sentido na dinâmica familiar da casa e na decoração.O número certo é aquele que nos permita optimizar o que temos em casa, as nossas rotinas. O que parece ser mais matemático (dizem os entendidos) é que este exercício faz com que tenhamos uma visão mais actualizada e realista do que precisamos e leva-nos a consumir menos. Poupança! Mesmo que tenhamos/fiquemos com coisas mais caras (mas mais especiais).

 

photo: pinterest.com

 

 

  • TIMINGS: Não temos de querer ter tudo num dia, até porque a ideia é ser uma mudança estrutural. Mas se houver vontade e disponibilidade, porque não uma intervenção mais drástica, mais metódica? Se nos impusermos um calendário que não é realista ou adequado à nossa disponibilidade, vai nos levar a fazer as coisas à pressa, sem foco e em stress porque o foco é cumprir o objectivo e não o objectivo em si. Não é uma corrida. Não é para perder 10kg em 2 semanas…

 

 

  • MINIMIZAR, ORGANIZAR E ARRUMAR: a ordem é esta. Primeiro, seleccionar o que realmente nos faz falta (física e emocionalmente), depois arranjar os esquemas e as fórmulas que forem mais funcionais para o dia-a-dia e por fim arrumar, no sentido de manter a ordem estabelecida. Não vale a pena comprar caixas com divisórias para arrumar embalagens fora de validade e amostras de champô para cabelos ruivos, certo?!

 

  • ENJOY THE RIDE: cada gaveta arrumada equivale a 1h de terapia! a sério!

Esta é a minha interpretação de tudo o que li sobre este tema e é com este foco que vos lancei um desafio no stories do nosso Instagram (que podem ver aqui).

Ainda estou muito no início da fase 1 de destralhar. Continuem a enviar-nos o vosso feedback e testemunhos! Todas as dicas e incentivos são bem-vindos!

Até já!

MB